
Ontem fiz um programa diferente. Fui até Piracicaba-SP, assisitir uma partida de futebol, entre o meu glorioso XV x Santos FC, na abertura do Campeonato Paulista. Gostaria de fazer aqui, alguns comentários sobre esse fato histórico.
Meu XV de Piracicaba, passou 16 longos anos, nas séries A3 e A2, para poder retornar à chamada "elite do futebol" do Estado de S.Paulo em 2011, amargando quase duas décadas de lutas, porém, ontem, estreou em grande estilo, no Estádio Barão de Serra Negra, contra ninguém menos que o Santos Futebol Clube, Campeão Paulista de 2011.
Foi uma belíssimo jogo, empatamos 1 x 1, e não posso dizer que isso só ocorreu, porque o Santos jogou com seu time reserva, pois o futebol apresentado, foi do mais alto nível. Os meninos do XV, estavam nervosos, era uma estréia, com a responsabilidade de não perder em casa, e por outro lado, o Santos, time Campeão de 2011, não queria perder para um "timinho do interior" - embora tenha merecido perder, pois não fosse o nervosimo do XV, o Santos teria tomado pelo menos três gols, que foram perdidos cara-a-cara com o goleiro.
Me entristece demasiadamente, ver o que estão fazendo com o futebol brasileiro, pois um estádio como o do XV, com capacidade para 25.700 torcedores, estavam lá, somente 11.500, ou seja, metade do estádio ocioso. Ociosidade provocada pela ganância da FPF, e dos cartolas, que colocaram ingressos à venda, R$ 40,00 arquibancada, e R$ 80,00 a numerada coberta. Um preço absurdamente caro, para os padrões do torcedor médio. Posso dizer, sem medo de errar, que alí no Barão de Serra Negra, estava a "elite" de Piracicaba, e não o povo de Piracicaba.
O projeto para o futebol brasileiro:
CBF e cartolagens afins, optaram, ao invés de fazer um ingerência no sentido de coibir a violência nos estádios, resolveram "selecionar a torcida, pelo bolso", expulsando dos estádios, o povão apaixonado pelo futebol, que num futuro muito, muito próximo, não assistirá mais o esporte, sequer pela televisão, pois a tendência do mercado, é vender pacotes, onde só assiste, quem tiver Tv a cabo, portanto, novamente, o povão estará excluído da sua paixão nacional.
A realização da Copa de 2014 no Brasil reforça a mudança de foco do futebol e potencializa a cobiça. Construídos ou reformados, às vezes com necessidade duvidosa, os estádios serão em tese mais bem aparelhados, terão capacidade menor e ingressos mais caros, o que evidencia essa busca pelo público de maior poder aquisitivo. "A questão da transmissão é um complemento da exclusão que vem sendo feita há anos nos estádios. Em nome da segurança, um padrão de modernidade se impõe e remove os setores populares. Como se a violência fosse um atributo desses setores, o que é uma falácia", e todo mundo sabe disso.
Segundo a Revista do Brasil, de abril/2011 - No Maracanã, a geral, conhecida pelo grande número de populares fantasiados que ali acompanhavam os jogos, foi destruída em 2005 e deu lugar às cadeiras - setor nobre. Foi o fim dos geraldinos, como eram conhecidos os frequentadores. E os arquibaldos, a turma da arquibancada, também não tem vida fácil. Ambos os tipos foram cunhados pelo escritor Nelson Rodrigues, frequentador do velho Maracanã.
A exemplo do jogo de ontem, em Piracicaba, em março/201o, na partida entre Santos e Cerro Porteño, pela Taça Libertadores. O time paulista aproveitou o jogo contra o rival paraguaio para cobrar R$ 100 pelo ingresso. Resultado: protestos e estádio vazio.
Elitização do futebol:
Em artigo publicado em O Estado de S. Paulo no final de 2010, o professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) Marcos Alvito cita a Soccerex, feira internacional realizada no Rio com foco no futebol como negócio, na qual "especialistas" decretaram que a modalidade no Brasil terá a classe A como clientela-alvo, deixando as classes B e C para trás. "Porque as D e E há muito não sentam em uma arquibancada. Hoje os estádios viraram estúdios para um show televisivo chamado futebol", observa o antropólogo, para quem está em curso um processo de elitização perversa do esporte.
Ainda segundo a Revista do Brasil, o docente foi um dos criadores, em 2010, da Associação Nacional dos Torcedores. Incipiente, mas com reivindicações como maior transparência no futebol, além de igualdade de acesso aos estádios. "Vai acabar com toda e qualquer possibilidade de a população pobre ou de classe média baixa frequentá-los. Claro que a gente aprova o conforto. O problema é transformar o estádio num grande shopping center", diz o estudante Matheus Serva, da ANT. "E tem o agravante da televisão. Quarta-feira às 10 da noite é impossível para um trabalhador assistir ao jogo."
A maior prova da expulsão do povão dos estádios, é o Estadio do Marcanã no RJ, que em 2010, foi fechado. A reforma mira a Copa 2014. Nesta reforma, a capacidade caiu de 120 mil para 86 mil pessoas – que passaram a pagar mais. Em 1969, o estádio chegou a receber 180 mil torcedores. Com a reabertura, provavelmente em 2013, caberão apenas 76 mil e esperam-se preços ainda mais elevados.
Como deve ser um bom jogo, devemos sempre, ir acompanhados dos melhores Amigos, e comigo ontem, não foi diferente, o Dr. Marcus Vinícius, mais conhecido como Marcão (para os íntimos), é santista de carteirinha, e no caminho, fomos conversando sobre esse assunto, e ele não deixa por menos, quando o assunto é valorizar o futebol Brasileiro. Na opinião dele, toda a verba arrecadada com publicidade repassadas às Federações, ao contrário de como é feita hoje, repartida proporcionalmente ao tamanho da renda que cada time gera, essa verba deveria ser socializada entre todos os times daquele estado de forma igualitária, como forma de diminuir o fôsso entre os times pequenos da elite do futebol.
É de matar qualquer espetáculo futebolistico, num evento como o de ontem em Piracicaba, a FPF, em conlúio com os cartolas, deixar 12 mil torcedores do lado de fora, selecionados pelo preço do ingresso, pois se o ingresso da arquibancada estivesse sendo vendida a R$ 20,00, o Barão de Serra Negra, teria ficado abarrotado de Quinzistas, pois o povo de Piracicaba, ama de paixão o nosso Nhô Quim.
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