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16.1.12

PROTESTO COM HUMOR - Descoberta da cracolândia



Em São Paulo - nasce uma nova forma de protesto: "churrascão da gente diferenciada"

Tudo começou em maio/2011 quando uma moradora de Higienópolis, se posicionou contra a construção de uma estação de metrô, naquele bairro, e deu a seguinte declaração à imprensa: “Eu não uso metrô e não usaria. Isso vai acabar com a tradição do bairro. Você já viu o tipo de gente que fica ao redor das estações do metrô? Drogados, mendigos, uma gente diferenciada…”

Foi o suficiente, a coisa bombou nas redes sociais, e surgiram as convocações para um "churrascão de gente diferenciada", que aconteceu dia 14/05/2011 - em frente o Shopping Higienópolis. Com cervejas, espetinhos de franco, linguíça, farofa e muito pagode misturado irreverência, aconteceu neste dia o primeiro protesto com a cara do brasileiro, com a irreverência que está no DNA do povo.

A segunda edição do "churrascão diferenciado, aconteceu debaixo de sol e chuva, neste sábado (14/01) - dentro da cracolândia e chegou a lotar o final da rua Helvétia, próxima à Estação Júlio Prestes, área conhecida pelo consumo de crack no centro de São Paulo.

O que se viu na cracolândia?:

Nuvens cobriam o céu, novamente se abria, mas nada impediu que o evento acontecesse. Perto das 17h, não se podia distinguir os ativistas dos movimentos sociais, os dependentes químicos e os curiosos que se aglomeravam em protesto contra a operação policial, alvo de críticas nas últimas duas semanas por conta do uso de armas não letais, da coleção de denúncias de abuso policial e da desconfiança em relação ao real interesse na ação.

Já a Polícia Militar - que realiza desde o dia 3 de janeiro rondas regulares a fim de coibir a formação de grupos de dependentes - se limitou a gravar imagens à distância, enquanto os grupos circulavam pela área. Nenhuma ocorrência foi registrada durante a realização do evento.

Segundo a Rede Brasil Atual, organizadores declararam: “Queremos que eles (os policiais) olhem com dignidade para estas pessoas. Elas não estão usando o crack porque preferem usar. Há a exclusão e o preconceito”, ressaltou Anderson Lopez Miranda, coordenador do Movimento Nacional da População de Rua - um dos mais de 40 organizadores do evento -, enquanto Gilberto S., de 56 anos, esperava com ansiedade uma chance para falar. O homem, que relatou “andar de lá para cá” por causa do crack, foi categórico em sua afirmação. “Não adianta ação militar, porque eles expulsam uma cracolândia e se criam outras trinta por aí”, disse, reforçando que não há oferta para tratamento. Outros, como Gilberto, também participavam do churrasco. Momentos raros - ou inexistentes - na rotina daquele lugar. Aproveitaram também para comer e guardar comida para mais tarde. Uma fila se formava a cada minuto para que os lanches de pão com linguiça fossem preparados à beira da churrasqueira. Tudo foi organizado por meio de doações.

O comandante-geral da PM, Coronel Álvaro Camilo, afirmou na última sexta-feira (13) em entrevista que a operação continua por tempo indeterminado, e que “tudo está dentro da normalidade”. Alckmin, em passeio de carro pela região, também garantiu que as ações estão sob controle. As denúncias de abuso de autoridade e agressões físicas estão sendo acompanhadas pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo e pelo Ministério Público.

Por incrível que pareça, a data é "cabalística" (14/05/2011), quase nove meses após o primeiro churrascão, aconteceu o segundo, (14/01/2012), talvez anunciando o advento de uma nova forma de chamar a atenção sobre um assunto que tenha relevância, buscando dar um olhar também diferenciado, e de maneira menos sisuda como sempre ocorreram os protestos por aqui.

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