1.2.16

O Blog do Paulinho se despede dos Amigos e Leitores


Aos meus Amigos e Leitores,

O Blog do Paulinho encerra suas atividades hoje.

Digamos que ficará inativo, e talvez em algum momento volte - ou vá replicando algumas matérias interessantes que publiquei.

O Blog nasceu em 18/10/2006 - por sugestão da minha Amiga Clinéia Candia, que eu costumo chamar de "minha madrinha".

A proposta era conversar com um grupo de amigos, e parece que o objetivo foi alcançado, e como tudo tem princípio, meio e fim, como dizem os árabes, "aqui eu deixo essa história"

Conforme saudação abaixo, eu abria o Blog do Paulinho, que caminhou, com 1,5 milhão de visitas, e com 2.106 matérias publicadas, sendo que a maioria eram matérias que eu julgava interessante replicar, uma vez que o tempo era curto demais para escrever e administrar a vida. 

Valeu, foi muito positivo, agora tenho outros projetos de vida.

Conheci muita gente legal, participei do 1º Encontro Nacional de Blogueiros, que aconteceu em SP, no Sindicato dos Engenheiros, em 2010 - ali conheci muitas figuras interessantes, o que pra mim foi um grande aprendizado.

Estou linkando (abaixo), as 10 matérias do Blog, mais visitadas.

Muito obrigado a todos.

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Aos meus Amigos e inimigos,

Meus caros Amigos / as;

Caros Companheiros / as,

Por sugestão de vários de vocês, com o incentivo da grande Amiga Clinéia, estou apresentando o BLOG DO PAULINHO. Será um espaço plural, portanto, democrático e aberto a troca de idéias, debates, sobre os mais variados temas. Se vocês me perguntarem qual a minha definição de democracia, eu responderia de bate e pronto: "Democracia a arte da convivência dos contrários". Com isso quero dizer, que iremos conviver tranquilamente com quem pensa diferente e deseja se manifestar aqui, só não aceitaremos ofensas; discussões baratas e chulas.  De resto, sejam todos bem vindos.

Um beijo no coração,


Paulinho

AS 10 MATÉRIAS MAIS VISITADAS:

30.1.16

O “iate” do Lula e o jornalismo “sem noção”


Por Fernando Brito - Tijolaço

A Folha hoje se supera. Leia AQUI

Apresenta como “prova” da ligação de Lula com o sítio que ele nunca negou frequentar, em Atibaia, um barco comprado por D. Mariza, sua mulher e mandado entregar lá.

A “embarcação”, como se vê no próprio jornal, é um bote de lata comprado por R$ 4.100.

Presta para navegar num laguinho, com a mulher, dois amigos e o isopor, se ninguém fizer muita gracinha de se pigar em pé, fazendo graça.

É o “iate do Lula”, quase igual ao Lady Laura do Roberto Carlos e só um pouco mais modesto do que as dúzias de lanchas que você vê em qualquer destes iate clubes que existem em qualquer cidade praiana.

A pergunta, obvia, é: e daí que o Lula frequente o sítio? E daí que sua mulher tenha comprado um bote, sequer a motor, para pescar umas tilápias, agora que já não pedem, como nos velhos tempos, fazer isso na represa Billings?

Qual é a prova de que a reforma do sítio foi paga pela Odebrechet (segundo a Folha) ou pela OAS (segundo a Veja)?

E se o Lula frequentasse a mansão de um banqueiro? E se vivesse nos iates – os de verdade – da elite rica do país?

O que o barquinho mixuruca prova a não ser a absoluta modéstia do sujeito que, quatro anos atrás, escandalizava essa gente carregando um isopor para a praia?

Os jornais, a meganhagem e a turma do judiciário – que já não se separam nisso – estão dedicados a destruir o “perigo lulista”.

Esqueçam o barquinho: o que eles querem é ter de novo o leme do transatlântico.

Perderam até a noção do ridículo, convencidos de que já não há resistência a ele nas mentes lavadas do país.

E acabam revelando que, em suas mentes, o grande pecado de Lula, que ganha em palestras pagas o suficiente para comprar uma “porquera” daquelas por minuto que passe falando, ou para alugar uma cobertura na Côte D’Azur do Guarujá é continuar pensando como pobre: querendo comprar apartamento em pombal e barquinho de lata para ficar de caniço, dando banho em minhoca.

É que ter nascido pobre é um crime que até se perdoa, imperdoável mesmo é continuar se identificando com eles.

29.1.16

Brasil tem 21 cidades entre as 50 mais violentas do mundo (42% do total)

Fortaleza foi a cidade mais violenta do Brasil em 2015, segundo ranking mundial que leva em conta apenas cidades com ao menos 300 mil habitantes  (Foto: Rafael Almeida/TV Verdes Mares)

Brasil tem 21 cidades em ranking das 50 mais violentas do mundo; veja lista

ONG faz cálculo com base em dados de taxas de homicídio em 2015.
Lista inclui cidades com 300 mil habitantes ou mais e exclui áreas de guerra. (
G1)

O Brasil é o país com o maior número de cidades entre as mais violentas do mundo em 2015, de acordo com um ranking internacional publicado nesta segunda-feira (25) por uma ONG mexicana. Das 50 cidades com maior taxa de homicídios por 100 mil habitantes em 2015, 21 são brasileiras.

A lista, divulgada anualmente pelo Conselho Cidadão para a Segurança Pública e a Justiça Penal, leva em conta o número de homicídios por 100 mil habitantes e inclui apenas cidades com 300 mil habitantes ou mais. Foram excluídos países que vivem “conflitos bélicos abertos”, como Síria e Iraque.

Apesar de o Brasil ser o país com mais representantes, o maior índice de violência foi detectado nas cidades da Venezuela. A taxa média brasileira foi de 45,5 homicídios por 100 mil habitantes e a venezuelana, de 74,65. Caracas, capital do país, lidera o ranking geral, com 119,87 homicídios dolosos para cada 100 mil habitantes.

Primeiro lugar por 4 anos seguidos, San Pedro Sula, em Honduras, conseguiu reduzir o número de homicídios e passou para o segundo lugar. San Salvador, capital de El Salvador, ficou em terceiro.
Fortaleza foi a cidade mais violenta do Brasil em 2015, segundo ranking mundial que leva em conta apenas cidades com ao menos 300 mil habitantes (Foto: Rafael Almeida/TV Verdes Mares)


Das cidades brasileiras, a primeira a aparecer é Fortaleza, em 12º lugar. Em seguida vem Natal, em 13º, Salvador e região metropolitana, em 14º, e João Pessoa (conurbação), em 16º.

Belo Horizonte, que figurava na lista do ano anterior, desta vez não apareceu. O contrário aconteceu com 3 cidades brasileiras, que estavam fora da lista de 2014, mas entraram na de 2015: Feira de Santana (27º), Vitória da Conquista (36º) e Campos dos Goytacazes (39º).

Também aparecem Maceió (18º lugar), São Luís (21º), Cuiabá (22º), Manaus (23º), Belém (26º), Goiânia e Aparecida de Goiânia (29º), Teresina (30º), Vitória (31º), Recife (37º), Aracaju (38º), Campina Grande (40º), Porto Alegre (43º), Curitiba (44º) e Macapá (48º).

Das 50, 41 ficam na América Latina: 21 no Brasil, 8 na Venezuela, 5 no México, 3 na Colômbia, 2 em Honduras, uma em El Salvador e uma na Guatemala. Outros países com cidades na lista foram África do Sul, Estados Unidos e Jamaica.

O estudo é feito com base em dados oficiais ou de fontes alternativas, como ONGs. A metodologia é explica, país por país, neste link.

AS CIDADES MAIS VIOLENTAS DO MUNDO, SEGUNDO O RANKING
  • 1° – Caracas (Venezuela) – 119.87 homicídios/100 mil habitantes
  • 2° – San Pedro Sula (Honduras) – 111.03
  • 3° – San Salvador (El Salvador) – 108.54
  • 4° – Acapulco (México) – 104.73
  • 5° – Maturín (Venezuela) – 86.45
  • 6° – Distrito Central (Honduras) – 73.51
  • 7° – Valencia (Venezuela) – 72.31
  • 8° – Palmira (Colômbia) – 70.88
  • 9° – Cidade do Cabo (África do Sul) – 65.53
  • 10° – Cali (Colômbia) – 64.27
  • 11° – Ciudad Guayana (Venezuela) – 62.33
  • 12° – Fortaleza (Brasil) – 60.77
  • 13° – Natal (Brasil) – 60.66
  • 14° – Salvador e região metropolitana (Brasil) – 60.63
  • 15° – ST. Louis (Estados Unidos) – 59.23
  • 16° – João Pessoa; conurbação (Brasil) – 58.40
  • 17° – Culiacán (México) – 56.09
  • 18° – Maceió (Brasil) – 55.63
  • 19° – Baltimore (Estados Unidos) – 54.98
  • 20° – Barquisimeto (Venezuela) – 54.96
  • 21° – São Luís (Brasil) – 53.05
  • 22° – Cuiabá (Brasil) – 48.52
  • 23° – Manaus (Brasil) – 47.87
  • 24° – Cumaná (Venezuela) – 47.77
  • 25° – Guatemala (Guatemala) – 47.17
  • 26° – Belém (Brasil) – 45.83
  • 27° – Feira de Santana (Brasil) – 45.50
  • 28° – Detroit (Estados Unidos) – 43.89
  • 29° – Goiânia e Aparecida de Goiânia (Brasil) – 43.38
  • 30° – Teresina (Brasil) – 42.64
  • 31° – Vitória (Brasil) – 41.99
  • 32° – Nova Orleans (Estados Unidos) – 41.44
  • 33° – Kingston (Jamaica) – 41.14
  • 34° – Gran Barcelona (Venezuela) – 40.08
  • 35° – Tijuana (México) – 39.09
  • 36° – Vitória da Conquista (Brasil) – 38.46
  • 37° – Recife (Brasil) – 38.12
  • 38° – Aracaju (Brasil) – 37.70
  • 39° – Campos dos Goytacazes (Brasil) – 36.16
  • 40° – Campina Grande (Brasil) – 36.04
  • 41° – Durban (África do Sul) – 35.93
  • 42° – Nelson Mandela Bay (África do Sul) – 35.85
  • 43° – Porto Alegre (Brasil) – 34.73
  • 44° – Curitiba (Brasil) – 34.71
  • 45° – Pereira (Colômbia) – 32.58
  • 46° – Victoria (México) – 30.50
  • 47° – Johanesburgo (África do Sul) – 30.31
  • 48° – Macapá (Brasil) – 30.25
  • 49° – Maracaibo (Venezuela) – 28.85
  • 50° – Obregón (México) – 28.29
Por G1

FHC decide reconhecer oficialmente apartamento milionário que tem em París


FHC admite ser dono de apartamento milionário em Paris

Fonte: Contexto Livre (*)

Algum problema com as pessoas que moram na Avenue Foch em Paris? Nenhum problema, exceto se a pessoa não tiver renda para isso ou se essa renda for obtida de forma ilegal. Quem conhece esse local de Paris, muito bonito e disputadíssimo, apesar de o metro quadrado por lá ser caríssimo, diz que a Avenue já teve como moradores alguns dos carniceiros africanos, ditadores e gente rica, mas de muito má fama. De certo que moram lá também e, provavelmente são maioria, moradores honrados e honestos, gente que tem dinheiro declarado e ganho de forma limpa e, portanto, que não deve satisfação a ninguém.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem um apartamento na Avenue Foch, só agora, porém, admitiu isso. Parece que comprou o apartamento de um milionário brasileiro que dizem ter participado de operações durante a ditadura. Tudo isso, quanto custou o apartamento, quando e de quem foi comprado, é teoricamente da conta de FHC e eu não estou insinuando que ele comprou esse apartamento sem poder ou com dinheiro ilegal.

Só não entendo é o motivo de ele esconder por tanto tempo que tem o apartamento, de durante anos e anos afirmar que era “emprestado” e nossa imprensa (sic) sempre ter embarcado nessa história e jamais explorado o fato, como, com certeza, exploraria se o apartamento fosse do Lula, que tivesse mentido sobre ser proprietário.

* * *

FHC e apartamento de luxo em Paris. E se o apartamento fosse de Lula, o que a mídia diria?

Nos idos de dezembro de 2002, quando FHC já sabia que seu candidato estava fora do páreo, perdendo o cargo de presidente da República para o torneiro mecânico Luiz Inácio Lula da Silva, o ainda presidente já se arrumava para se mudar do Palácio da Alvorada. Fernando Henrique estava juntando tudo para guardar em um depósito em São Paulo até que a reforma de seu novo apartamento da rua Rio de Janeiro — a dois quarteirões de seu antigo endereço na Rua Maranhão, em Higienópolis — ficasse pronta.

Contudo, logo após a entrega da faixa presidencial para Lula, …

Folha de S.Paulo, 17/12/2002
Fernando Henrique Cardoso vai passar três meses na Europa, baseado em Paris. Ele ficará hospedado em um apartamento de Jovelino Mineiro, seu ex-sócio na fazenda Córrego da Ponte, em Buritis (MG). A parte de FHC hoje está em nome dos filhos do presidente.

Entretanto…
Folha de S.Paulo, 17/12/2002
O presidente Fernando Henrique Cardoso espera ver concluída no início de 2003 a reforma pela qual passa seu novo apartamento no Edifício Chopin, na rua Rio de Janeiro, bairro de Higienópolis, em São Paulo.
O apartamento tem uma área de cerca de 400 metros quadrados e fica de frente para a rua Pernambuco. No mesmo prédio, um apartamento com 200 metros quadrados – metade da área do imóvel de FHC – está sendo vendido por R$530 mil.
Incrível, né?

Folha de S. Paulo, 12 de janeiro de 2003, página A7, Coluna de Janio de Freitas

O endereço

Janio de Freitas

Data imprecisada, ou imprecisável, e não recente. Fernando Henrique Cardoso, no uso de toda a simpatia possível, discorre para os comensais suas apreciações sobre fatos diversos e pessoas várias. De repente, intervém a mulher de um brasileiro renomado, há muito tempo é figura internacional de justo prestígio, ministro mais de uma vez, com importantes livros e ensaios. Moradores íntimos de Paris por longos períodos, mas não só por vontade própria, constam que nela nada restringe a franqueza. Se alguém na conversa desconhecia a peculiaridade, ali testemunhou um motivo para não esquecê-la:

“Pois é, mas nós sabemos do apartamento que Sérgio Motta e você compraram na Avenue Foch.”

Congelamento total dos convivas. Fernando Henrique é quem o quebra, afinal. Apenas para se levantar e afastar-se. Cara fechada, lívido, nenhuma resposta verbal. A bela Avenue Foch, seus imensos apartamentos entre os preços mais altos do mundo, luxo predileto dos embaixadores de países subdesenvolvidos, refúgio certo dos Idi Amim Dada, dos Bokassa, dos Farouk e, ainda, de velhos aristocratas europeus.

Avenue Foch, onde a família Fernando Henrique Cardoso está instalada. No apartamento emprestado, é a informação posta no noticiário, pelo amigo que passou a figurar na sociedade da fazenda também comprada por Sérgio Motta e Fernando Henrique Cardoso, em Buritis. Avenue Foch é ela que traz de volta comentários sobre a historieta, indagações de sua autenticidade ou não, curiosidade em torno do que digam outros possíveis comensais.

* * *

Um acréscimo necessário:


O endereço de moradia é a Avenida Foch, 51, no apartamento que pertenceu ao falecido ex-governador de São Paulo Abreu Sodré. A história de Sodré como organizador da OBAN - Operação Bandeirantes, de repressão e tortura a ativistas políticos brasileiros de esquerda nos anos 70, parece incomodar menos ao ex-presidente do que a distância física do imóvel aos distritos dos mais iniciados à cidade.

(*) Matéria publicada no Blog Contexto Livre em 23/12/2012

Como sabotamos a nossa vida sem perceber


Por Revista Pazes

A vida não é como uma linha reta. Ela não é um conjunto de horários e de gráficos. Não há nada errado se você não terminou os seus estudos numa determinada idade, se você é casado ou não, se encontrou um emprego estável ou se começou a formar a sua própria família, etc. Você necessita entender que, se você não se casou com seus 25-30 anos, se não se tornou vice-presidente aos 33 ou se não encontrou a felicidade na idade X, ninguém pode julgá-lo ou condená-lo.

E, se porventura alguém o fizer, isso de nada importa. Você pode questionar o caminho traçado a qualquer tempo. Pode dar um tempo a si mesmo para parar e descobrir o que, de fato, o inspira. Você tem direito a esse tempo (muitos se esquecem disso).

Não raro começamos o planejamento das nossas vidas no colegial e assim seguimos os planos. Com base nesses planos vem o curso a ser estudado, o trabalho a executar…

Depois de um tempo, levantamos todas as manhãs e vamos ao trabalho, não por livre escolha diária, mas porque devemos confirmar a decisão que tomamos um dia.

Mas um dia acordamos em meio à mais profunda depressão, intuimos que nos prende e que não nos deixa viver plenamente, mas não saberemos do que se trata. Assim, destruímos nossa vida.

Destruímos nossa vida escolhendo a pessoa errada.

Por que será que é tão grande a nossa ânsia por relacionamentos? Por que somos tão obcecados pela a ideia de “estar” com alguém e não com a de “ser” alguém? Esse sentimento que nasce da necessidade de dormir com alguém que esteja ali para suprir a nossa necessidade de atenção e não os nossos verdadeiros sentimentos, não é o tipo de amor que vai nos inspirar a acordar às 6h da manhã e abraçar a pessoa que dorme ao lado.

É preciso encontrar um amor que nos transforme no melhor que somos. Não nos ceguemos no vazio do “não quero dormir sozinho”. Estar sozinho é bom. Passe algum tempo com você mesmo, coma sozinho, durma sozinho e, dentro de algum tempo, você encontrará coisas novas e interessantes sobre você, coisas de que nem suspeita. Você vai crescer como pessoa e encontrará o que o inspira, será de fato o dono dos seus sonhos e crenças.

Quando chegar o dia de encontrar aquela pessoa que faça cada uma das células do seu corpo dançar, você se sentirá confiante com ele ou com ela, porque tem confiança em si mesmo. É preciso saber esperar!

Destruímos nossa vida ao permitir que o passado tenha controle sobre nós. 

Na vida flui… Essa é a sua principal característica! Nela, há decepções, frustrações, dias em que você se sente um nada… Esses sentimentos chegam fortes e de malas feitas. Parece que vieram para ficar por muito tempo, mesmo, mas não devemos permitir que eles nos controlem.

Se você permitir que cada situação desagradável se torne o prisma que define sua percepção das coisas, verá o mundo de forma negativa e distorcida. E, se você permitir isso, corre o risco de ficar parado num mesmo lugar por anos, por estar convencido, por exemplo, de que é estúpido; de deixar passar o amor, porque você sente que a sua ex lhe deixou por não ser bom o suficiente e agora você não acredita em mulheres (ou nos homens).

É como um círculo vicioso. Se não se permitir deixar o seu passado para trás, você contuará a ver o mundo através da janela suja do passado.

Destruímos nossa vida quando nos comparamos com os outros. 

A quantidade de seguidores que você tem no Instagram nada diz do seu valor como pessoa. O número de zeros à direita em sua conta bancária não terá nenhum efeito real sobre a sua compaixão, inteligência ou felicidade. Alguém que tenha duas vezes mais propriedades do que você poderá não vai experimentar um tipo especial de alegria.

Sinceramente? O fato de aquele velho colega de faculdade ter postado fotos no Facebook naquele resort fantástico ou no hotel mais bacana da cidade não faz a menor diferença na sua vida. Todo mundo sabe disso, mas, ainda assim, muitas vezes se compara e se sente “por baixo”, nessas situações.

Estamos presos no falso mundo das redes sociais, ainda que provavelmente isso não nos leve à morte, mas nos destrua gradualmente ao criar em nós a necessidade de nos sentir “importantes” e pressionar os outros para que também sigam esse ideal.

Destruímos nossa vida ao nos privar das emoções. 

Tememos que os outros saibam o quanto significam a nós. Muitas vezes, o interesse por alguém pode parecer até uma loucura. Sim, expressar as suas emoções por alguém faz com que você se torne um pouco mais ’vulnerável’, mas não há nada errado com isso; pelo contrário: pode ser algo mágico e encantador desnudar a alma e mostrar-se honesta e integralmente.

A pessoa a quem você ama tem o direito de saber o quanto ela o inspira. Diga, por exemplo, à sua mãe que você a ama. Diga isso mesmo quando você estiver diante dos seus amigos ou nas redes sociais. Seja forte o bastante para não permitir que a sua alma se torne uma pedra.

Destruímos nossa vida quando passamos a suportá-la ao invez de desfrutá-la. Quando nos conformamos com menos do que desejávamos inicialmente, destruímos as possibilidades que vivem dentro de nós e é como trair a nós mesmos e a nosso potencial.

Quem disse que o próximo Michelangelo não está sentado agora na frente da tela do computador, organizando documentos alheios porque precisa para pagar as contas ou porque trabalhar assim é mais fácil do que buscar seus sonhos?

A vida, o trabalho e o amor estão inevitavelmente ligados entre si. Estejamos prontos para ver, na diversidade e na imprevisibilidade, a felicidade que a vida nos dá.

O texto foi livremente adaptado pela Equipe da Revista Pazes.

Com doze pedágios, um a cada 29 Kms para o Litoral Norte de SP, em abril irá custar R$ 37,60


Nota do Blog:

Observem que a matéria é canalha, pois só fala dos 3 pedágios, no percurso de S. José dos Campos, até Caraguatatuba, que serão nos seguintes pontos: km 15,7, por R$ 2,80; no km 56,6, a R$ 4,90 e uma no contorno de Caraguatatuba por R$ 1,90. Segundo a reportagem do G1 - a soma dos 3 pedágios (ida e volta), é de R$ 19,20 - porém, para quem sai da Capital, ante ainda tem mais 3 praças de pedágios, sendo uma em Itaquaquecetuba, Guararema, e Jacareí, portanto, mais R$ 18,40 (ida e volta), portanto, ir para o Litoral Norte, à partir de abril, ira custar ao cidadão, a bagatela de R$ 37,60.

Ainda tem a omissão na matéria, de uma rota alternativa, que estão construindo na BR-101 - logo depois da Praia Martim de Sá, para evitar que motoristas com destino a Ubatuba, passem pelo centro de Caraguatatuba, que certamente, também será pedagiada.

Mais um detalhe: De São José dos Campos, até Caraguatatuba a distância é de 89,3 kms, portanto, com 3 praças de pedágios, será um percurso de 29 kms de uma praça até a outra, ou seja, não haverá tempo, do motorista engatar uma 5ª marcha, que já estará pagando outro pedágio.
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Com pedágio, ida e volta ao litoral pela Tamoios vai custar R$ 19,20
Serão 3 praças de pedágio em cada sentido da rodovia que leva a Caraguá. Obras começaram em novembro e serão concluídas em 2019.

Do G1 Vale do Paraíba e Região

A viagem ida e volta para o litoral norte de São Paulo pela rodovia dos Tamoios (SP-99), que liga São José dos Campos a Caraguatatuba, vai custar R$ 19,20 de acordo com a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). O valor foi divulgado nesta segunda-feira (24) durante a assinatura da autorização para a publicação do edital da Parceria Publico Privada (PPP) para execução da obra, que deve ocorrer na sexta (28) no Diário Oficial.

A previsão é que as obras de duplicação da serra comecem em novembro, dez meses após a entrega da duplicação no trecho de planalto, e terminem no 2º semestre de 2019.

A assinatura do contrato, de R$ 2,9 bilhões com a vencedora da licitação, está prevista para setembro. Por meio da parceria, a empresa vai executar as obras de duplicação entre os quilômetros 60 e 82 e, em contrapartida, vai operar três praças de pedágio, nos dois sentidos entre o Vale e o litoral. A cobrança começa a partir do segundo ano de contrato e a vencedora vai operar os serviços de operação, manutenção e conservação da rodovia.

As praças de pedágio serão instaladas nos dois sentidos no km 15,7, por R$ 2,80; no km 56,6, a R$ 4,90 e uma no contorno de Caraguatatuba por R$ 1,90. Com a viagem a R$ 19,20 - ida e volta -, o motorista que optar por ir ao litoral norte vai pagar menos do que o que utiliza a Imigrantes para ir às praias do litoral sul, onde o pedágio é cobrado em praça única e custa R$ 21,20.

O preço fixado pela Artesp para os pedágios na Tamoios é pouco maior que o proposto inicialmente, com o trecho ao custo de cerca de R$ 8 (ida e volta cerca de R$ 16).

Edital

Os participantes da concorrência para operar a Tamoios deverão comprovar gestão e operação de rodovias com volume de tráfego diário superior a 8 mil veículos e experiência em sistemas de cobrança automática de pedágio. A licitação permite a participação de empresas ou consórcios internacionais. A entrega das propostas deve acontecer até maio.

"Além da parceria para o custeio das obras, a vencedora terá que investir R$ 1 bilhão em 30 anos para explorar o corredor. Entre as melhorias que devem ser feitas estão a iluminação da serra entre os kms 64 e 80", disse Karla Bertocco Trindade, diretora geral da Artesp. Segundo ela, a viagem entre o Vale e litoral deve ser reduzida, sobretudo para veículos pesados, que na serra, em alguns trechos, devem trafegar a 30 km/h e poderão passar a trafegar a 80 Km/h.

A diretora informou que a obra é complexa e prevê cinco túneis, sendo um deles com 12,6 km de extensão, o maior construído no Estado de São Paulo. "A obra é complexa não apenas do ponto de vista técnico, com a construção de túneis, mas também no aspecto ambiental, já que dependemos de uma série de licenças", disse ao G1.








28.1.16

Governo Alckmin pede propina por contrato e ex-secretário é acusado de receber R$ 100 mil


Merenda: Governo Alckmin pede propina por contrato e ex-secretário é acusado de receber R$ 100 mil

Revista Brasileiros
Em delação premiada, acusado cita propina para o ex-secretário de educação, Herman Voorwald, e uma chantagem do agora presidente da Alesp Fernando Capez

A máfia da merenda, como já é chamado o esquema de corrupção no governo estadual de São Paulo, tinha tentáculos em diversas secretarias estaduais, 22 municípios e agora chegou ao ex-secretário de Educação Herman Voorwald, que teria recebido propina de R$ 100 mil. Outro também comprometido é o atual presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Fernando Capez (PSDB), acusado de chantagear uma cooperativa para garantir a execução de um contrato que já havia sido assinado.

Além de Capez e Voorwald, são citados nas delações o ex-chefe de gabinete da Casa Civil do governo Geraldo Alckmin (PSDB), Luiz Roberto dos Santos, o secretário tucano Duarte Nogueira (Logística e Transportes), os deputados federais Baleia Rossi (PMDB) e Nelson Marquezelli (PTB), além do deputado estadual Luiz Carlos Gondim (SD). Todos negam as acusações.

As informações constam na delação premiada do ex-presidente do Coaf (Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar), Cássio Chebabi. Depois de assinar um contrato de R$ 8 milhões para fornecer suco de laranja para a merenda da rede estadual, a cooperativa teria tido o contrato cancelado pelo governo estadual sem a alegação dos motivos.

Quem teria sido encarregado de rever a decisão do governo era Capez, na época deputado estadual, acusado de pedir um “acordo” e “um percentual” para destravar o negócio, informa reportagem do jornal Folha de S.Paulo.

Outro que entrou na lista de suspeitos é o ex-secretário de Educação, Herman Voorwald. Ele teria embolsado R$ 100 mil da antiga empresa fornecedora, Citricardilli, que em troca teria pedido seu comprometimento em não assinar contrato com o Coaf. Voorwald não foi localizado para responder a suspeita e Capez negou envolvimento no esquema.

O Ministério Público acredita que o esquema se ramifique por diversos órgãos do governo do Estado, além das secretarias de Educação, Agricultura e 22 cidades.


O três em um do Lula no Guarujá, 25 anos depois

por Luiz Carlos Azenha

Se você falar num “três em um” numa rodinha de jovens muitos vão fazer cara de paisagem. É o mesmo que falar em óleo de fígado de bacalhau, DKV ou Olivetti.

Em 1989 ter um “três em um” em casa era símbolo de status. Especialmente aqueles que vinham acompanhados de grandes caixas de som. Vitrola, toca-fitas e rádio, tudo num mesmo aparelho!

Eu morava, então, em Nova York. Era correspondente da TV Manchete.

Testemunhei um momento histórico, via satélite. A Globo colocou ao vivo o sinal do debate presidencial entre Lula e Fernando Collor para ser visto na cidade. Se não me engano, foi num restaurante da rua 46, então a rua dos brasileiros em Manhattan, hoje tomada por comerciantes coreanos.

Durante o debate, Collor “acusou” Lula de um pecado imperdoável para um operário “igualzinho a você” — era o slogan utilizado pela campanha de Lula: ter um “três em um” sofisticado.

O simbolismo era inescapável: o dirigente sindical teria dirigido as grandes greves do ABC em busca de vantagens pessoais. Era um aproveitador. Nos bastidores, dizia-se também que Lula tinha abandonado a cachaça e aderido ao uísque importado, como se isso fosse um crime lesa Pátria.

Na época, ninguém perguntou se Collor também tinha “três em um” em casa. Logo ele, filhinho de papai da oligarquia alagoana! Era o máximo da desfaçatez.

Lembrei-me do episódio ao receber, por e-mail, os links de várias reportagens de O Globo e da Folha sobre o triplex do Lula no Guarujá.

O ex-presidente declarou pagamentos feitos à cooperativa responsável pelo imóvel em 2006. Disse ao imposto de renda ter pago R$ 47.695,38 até então. O valor total foi quitado em 2010.

Em nota, o instituto Lula falou em
“suposto apartamento”, já que o ex-presidente nunca ocupou o imóvel e nem assumiu oficialmente a propriedade. Esclareceu que a primeira dama Marisa Letícia comprou uma cota do prédio em 2005, da Bancoop, paga em prestações. O casal não decidiu ainda se fica com o imóvel.

Para turbinar a notícia, a Folha cita corretores não identificados que avaliaram o apartamento em R$ 1,5 milhão. Minha sugestão é que o Otavinho compre o imóvel por este preço. Dinheiro certamente não é problema para o dono da Folha. Nem para os bilionários irmãos Marinho, tão interessados no caso.

Independentemente da “avaliação” da Folha estar ou não correta, é óbvio que o imóvel é compatível com a renda de um presidente que cumpriu oito anos de mandato, pagou em prestações e hoje viaja o mundo dando palestras.

A questão aqui é outra: por que sabemos tudo sobre o apartamento de Lula e absolutamente nada sobre os imóveis de Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Alckmin e Aécio Neves? Em nome de quem está o apartamento que Aécio ocupa em Belo Horizonte, por exemplo?
FHC tem mesmo um apartamento na avenue Foch, em Paris?

A explicação é simples e repetitiva: dois pesos, duas medidas.

Vinte e cinco anos depois, com a perspectiva de Lula se candidatar em 2018, o “três em um” se tornou “triplex”.

É bala na agulha para enredar o ex-presidente com uma das acusadas na Operação Lava Jato, a empreiteira OAS, que concluiu as obras do edifício no Guarujá.

O ex-presidente deve estar acostumado.

Em 1989, na reta final da campanha, a ex-namorada de Lula, Miriam Cordeiro, apareceu no Jornal Nacional e na campanha de TV de Fernando Collor acusando Lula de ter sugerido a ela que abortasse a filha Lurian, além de falar mal dos negros.

O jornal O Globo chegou a produzir um editorial justificando a baixaria, intitulado
O Direito de Saber. Trecho:
Até que anteontem à noite surgiu nas telas, no horário do PRN, a figura da ex-mulher de Lula, Miriam Cordeiro, acusando o candidato de ter tentado induzi-la a abortar uma criança filha de ambos, para isso oferecendo-lhe dinheiro, e também de alimentar preconceitos contra a raça negra.

A primeira reação do público terá sido de choque, a segunda é a discussão do direito de trazer-se a público o que, quase por toda parte, se classificava imediatamente de ‘baixaria’.

É chocante mesmo, lamentável que o confronto desça a esse nível, mas nem por isso deve-se deixar de perguntar se é verdadeiro. E se for verdadeiro, cabe indagar se o eleitor deve ou não receber um testemunho que concorre para aprofundar o seu conhecimento sobre aquela personalidade que lhe pede o voto para eleger-se Presidente da República, o mais alto posto da Nação.
Que ironia!

As mesmas Organizações Globo nunca acreditaram que o eleitor brasileiro tinha o direito de saber que Fernando Henrique Cardoso teve um caso com uma repórter da emissora, ANTES de ser candidato pela primeira vez ao Planalto.

Do caso teria nascido uma criança.

Ambos, mãe e filho, viveram “exilados” na Europa, uma notícia que
 só foi dada pela revista Caros Amigos no ano 2000! O filho, revelou muito mais tarde um exame de DNA, afinal não era, mas sempre foi tratado como herdeiro.

O brasileiro nunca teve — e provavelmente jamais terá — o direito de saber deste logro histórico! Pelo menos não nas páginas dos jornalões e nos telejornais da Globo.

Leia também: Ministério Público é cumplice na história do apartamento

27.1.16

Oito lições de combate à corrupção que a Dinamarca pode dar ao Brasil


A Dinamarca colhe hoje os frutos de mais de 350 anos de empenho contra a corrupção no setor público e privado e, mais uma vez, figura no topo do ranking de 168 países da ONG Transparência Internacional, o principal indicador global de corrupção.

Flávia Milhorance. De Copenhague (Dinamarca) para a BBC Brasil

Desde que o índice foi criado, em 1995, o país está nas primeiras posições - em que estão as nações vistas como menos corruptas. Nos últimos cinco anos, só não esteve no primeiro lugar em 2011, que ficou com a Nova Zelândia. Esse é o segundo ano consecutivo em que está sozinha no topo.

O Brasil foi um dos países que registrou a maior queda no ranking neste ano: caiu sete posições, para o 76º lugar. A ONG liga a queda ao escândalo da Petrobras.

O Índice de Percepção de Corrupção é baseado em entrevistas com especialistas - em geral, membros de instituições internacionais como bancos e fóruns globais - que avaliam a corrupção no setor público de cada país.

Na raiz do bom desempenho dinamarquês estão iniciativas de meados do século 17, quando a Dinamarca perdia parte de seu reinado para a Suécia e via que era preciso ter uma administração mais eficiente para coletar impostos e financiar batalhas em curso.

Numa época em que a nobreza gozava de vários privilégios, o rei Frederik 3º proibiu que se recebessem ou oferecessem propinas e presentes, sob pena até de morte. E instituiu regras para contratar servidores públicos com base em mérito, não no título. A partir de então, novas medidas foram sendo instituídas período a período.

Peter Varga, coordenador regional da Transparência Internacional para Europa e Ásia Central, alerta, entretanto, que "países que estão no topo do ranking naturalmente não estão livres de corrupção", pondera

Casos envolvendo empresas e políticos vez ou outra ganham destaque na Dinamarca. Há dois anos, a empresa dinamarquesa Maersk foi apontada na Operação Lava Jato como possível autora de pagamento de propinas a ex-executivos da Petrobras. E a falta de controle nos financiamentos de campanha é bastante criticada.

"Entretanto, neles isto é uma exceção, não a regra", complementa o representante da Transparência Internacional.

Embora não esteja imune ao problema, a Dinamarca traz alguns bons exemplos que podem servir de inspiração para se combater a corrupção em países como o Brasil. Confira:

1) Menos regalias para políticos

O político Peder Udengaard é membro reeleito do conselho municipal (o equivalente a um vereador) de Aarhus, segunda maior cidade da Dinamarca, com cerca de 300 mil habitantes. Vive numa zona de classe média no centro e não possui carro, por isso vai a pé ao trabalho. Recebe um salário de 10 mil coroas dinamarquesas (R$ 6 mil) para horário parcial, complementados com atividades na direção de uma orquestra.

O único benefício que recebe é um cartão para táxi, que só pode ser usado quando participa de eventos oficiais. A entrevista concedida à BBC Brasil na prefeitura, por exemplo, não estava nesta lista. Duas vezes ao ano, a prefeitura promove eventos fora da cidade e, aí sim, pode-se gastar com deslocamento e alimentação. Presentes precisam ser tornados públicos e repassados a entidades civis.

"Essas regras independem do cargo, pode ser do mais baixo ao mais alto", explica Udengaard. "Se eu tivesse filhos, iriam para a escola pública; encontro meu eleitorado no supermercado, na rua, no banco. Não tenho mais benefícios do que qualquer cidadão. Se quisesse enriquecer ou ter privilégios, não seria político", completa.

Nos últimos anos, o primeiro-ministro Lars Løkke Rasmussen foi acusado em algumas ocasiões de ter usado dinheiro público para pagar contas em restaurantes, táxis, aviões, hotéis e até roupas em cargos como prefeito, ministro e presidente da organização Global Green Growth Institute (GGGI), que recebe recursos do governo.

Confirmaram-se roupas pagas pelo seu partido, Venstre, e passagens pela GGGI, episódios duramente criticados.

2) Pouco espaço para indicar cargos
Tentar beneficiar-se do setor público não é tarefa fácil na Dinamarca. Um dos motivos é que, quando o político é eleito, a equipe que trabalhará com ele é a mesma da gestão anterior. Além disso, o profissional que não reportar um ato ilícito é demitido.

"Receber incentivos econômicos seria difícil, porque os funcionários não estão interessados em acobertá-los", afirma Peder Udengaard, garantindo nunca ter sido informado de algum caso ilícito na prefeitura de Aarhus.

"Regras claras sobre conflitos de interesse, códigos de ética e declaração patrimonial são muito importantes", comenta Peter Varga, destacando que elas geralmente são consideradas eficientes em países no topo dos rankings de corrupção, mas ressaltando que mesmo na Dinamarca a tentação de se aceitar propinas ou exercer influência indevida é geralmente mais forte quanto mais perto se está do centro tomador de decisões políticas.

3) Transparência ampla
A Dinamarca também é considerada a nação mais transparente no ranking "2016 Best Countries" ("Melhores países 2016"), da Universidade da Pensilvânia, dos Estados Unidos.

Os sites dos governos, de todas as instâncias, costumam ser bem munidos de dados sobre gastos de políticos, salários, investimentos por áreas etc. E qualquer cidadão pode requerer informações que não estejam lá.

No Brasil, especialistas concordam que a transparência vem avançando. Fernanda Odilla de Figueiredo, pesquisadora sobre corrupção do Brazil Institute no King's College, de Londres, elogia a Lei de Acesso à Informação e os portais de transparência, mas cobra acesso irrestrito:

"Em 2013, informações sobre viagens internacionais do presidente e do vice-presidente da República foram reclassificadas e só poderão ser acessadas depois que eles deixarem o poder, e no ano passado o governo de São Paulo decretou sigilo de determinados dados", critica.

4) Polícia confiável e preparada

Raramente, casos de corrupção envolvem a polícia dinamarquesa. A confiança na instituição é considerada muito alta, segundo o relatório 2015-2016 de competitividade global do Fórum Econômico Mundial.

"A polícia goza de alto nível de confiança. Ser um policial geralmente é considerado uma posição relativamente de status. Isto faz jovens considerarem a carreira", acrescenta o especialista em segurança, Adam Diderichsen, professor da Universidade de Aalborg.

Diderichsen também explica que boas condições de trabalho agregam à qualidade do serviço. Após terminar o ensino médio, policiais recebem pelo menos dois anos de treinamento.

A cultura policial dinamarquesa dá ênfase a meios não coercitivos: eles usam armas, mas estão menos propensos a empregá-las do que em países fora da Escandinávia. Em geral, segundo o especialista, recebem um "bom salário de classe média, especialmente se for levado em conta a generosa aposentadoria".

5) Baixa impunidade
O código criminal da Dinamarca proíbe propina ativa ou passiva, abuso de poder público, peculato, fraude, lavagem de dinheiro e suborno.

Em 2013, o Parlamento adotou emendas para fortalecer a prevenção, investigação e indiciamento de crimes econômicos. As penas hoje vão de multa a prisão de seis anos. Elas não são consideradas tão rígidas. Mesmo assim, são aplicadas e cumpridas.

Para a Transparência Internacional, o motivo são as instituições fortes e independentes de Justiça. Já segundo o especialista em corrupção Gert Tinggaard Svendsen, professor da Universidade de Aarhus, há mais do que isso.

"As leis não são tão duras, o que é duro é o mecanismo de punição. A tolerância à ilegalidade na Dinamarca é baixíssima não só com relação às instituições, mas até com indivíduos do convívio que infringem normas das mais simples", diz.

6) Confiança social

Na Dinamarca, é comum alugar um livro da biblioteca sem o intermédio de um funcionário. Em alguns estabelecimentos, pode-se pegar o item, por exemplo uma fruta, e deixar o dinheiro.

Ou, mais surpreendente, famílias não hesitam em deixar seus filhos num carrinho de bebê do lado de fora de um restaurante. Esses pontos, segundo Gert Tinggaard Svendsen, também autor do livro Trust, têm algo em comum: a confiança.

"A confiança social traz regras informais ao jogo. São regras não escritas, entre pessoas. A confiança é a palavra-chave da autoregulação", explica Tinggaard, que pesquisou em 86 países se as pessoas confiavam umas das outras. Na Dinamarca, mais de 70% disseram que sim. No Brasil, apenas 10%.

Segundo ele, os dinamarqueses historicamente passaram a confiar nos indivíduos e, além disso, em suas instituições. Para a ONG, a confiança social ajuda a prevenir a corrupção, pois torna o desvio à norma um tabu. Por outro lado, quanto maior a corrupção, menor a confiança da população.

7) Ouvidoria forte

A Ouvidoria Parlamentar é um órgão que emprega cem funcionários e recebe por ano cinco mil reclamações contra o governo. Destas, pelo menos 50% resultam em críticas ou recomendações. Mais do que apenas notificações, a instituição tem poder de promover mudanças das mais diversas.

"Se outros países quisessem aprender com a Dinamarca, eles deveriam, por exemplo, ter um escritório parlamentar de ouvidoria com uma auditoria independente para ajudar a controlar o Legislativo e Executivo", pontua Peter Varga, da Transparência Internacional.

8) Empenho constante contra a corrupção

O combate à corrupção na Dinamarca começou no século 17, mas sofreu um aumento no século 19, após uma crise econômica. Para controlar o problema, foi instaurada a tolerância zero na administração real. Segundo a professora da Universidade de Aarhus, Mette Frisk Jensen, pesquisadora do tema, os níveis de corrupção são baixos desde então.

Para Fernanda Odilla de Figueiredo, a experiência da Dinamarca nos ensina que o combate à corrupção não é resolvido de uma só vez. Trata-se de um processo longo, em que é preciso estar sempre vigilante.

"O maior mérito da Dinamarca não é ser o primeiro lugar do ranking, mas se manter no topo por tanto tempo. Isso significa que o Brasil precisa não apenas melhorar o combate à corrupção, como encontrar uma forma de fazer isso de forma estável e consistente."

26.1.16

Professor usa bloqueador de sinal de celular em sala de aula em SP


Bloqueio, segundo professor da FEI, é limitado à sala.
Alckmin disse que serão instalados 23 bloqueadores em presídios.


Do G1 São Paulo

O professor de engenharia elétrica do Centro Universitário da FEI, em São Bernardo do Campo, Márcio Mathias utiliza um bloqueador de sinal de celulares na sala de aula, conforme reportagem do SPTV.

Apesar de não ser proibido o uso do celular na faculdade, muitos estudantes ficavam olhando o aparelho e trocando mensagens. Para evitar que os alunos se dispersassem, Mathias comprou um bloqueador que emite um ruído que impede a comunicação entre o telefone e a antena. O bloqueio, segundo o professor, é limitado à sala de aula.

Bloqueio em presídios

Após divulgação de dados de investigação do Ministério Público (MP) sobre facção que age dentro e fora dos presídios paulistas, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que em dezembro devem começar a ser instalados bloqueadores de celulares em 23 unidades prisionais do estado.


Segundo o tucano, os antigos equipamentos eram ineficientes. “Nunca se teve tecnologia adequada. Ou não bloqueava ou bloqueava [os celulares] de todo o bairro.”

No primeiro semestre, o governo testou, com sucesso, o novo equipamento nos presídios de Pinheiros, Belém e Guarulhos. A licitação foi aberta. Para o secretário da Segurança, a instalação de bloqueadores não irá atrapalhar investigações como a do MP, que foi baseada em escutas telefônicas. Segundo ele, o estado tem outras maneiras de monitorar o crime.

24.1.16

1200 livros da biblioteca particular de Fernando Pessoa estão disponíveis online


Um tesouro único no mundo. Biblioteca pessoal de Fernando Pessoa está disponível pra consulta online e gratuita. Livros de vários gêneros trazem dedicatórias, anotações, assinaturas, notas, diagramas e poemas do maior poeta de língua portuguesa da história. Equipe internacional de investigadores foi responsável pela digitalização integral do acervo


Carlos Willian Leite, Revista Bula - via Pragmatismo

Aproximadamente 1200 livros da biblioteca particular de Fernando Pessoa estão disponíveis na internet para consulta on-line. A digitalização do acervo foi feita pelo Centro de Linguística da Universidade de Lisboa.

Os livros de vários gêneros e idiomas, no formato PDF e JPG, trazem dedicatórias, anotações, assinaturas, notas, diagramas e poemas do maior poeta de língua portuguesa da história.

“Entendemos que uma biblioteca desta importância devia tornar-se patrimônio da humanidade — e não apenas dos que podem deslocar-se a esta Casa onde Fernando Pessoa viveu os últimos 15 anos da sua vida. 


Graças à dedicação de uma equipe internacional de investigadores foi possível digitalizar, na íntegra, toda a biblioteca. Deste encontro de entusiasmos generosos resultou a disponibilização gratuita da preciosa biblioteca do autor de ‘O Livro do Desassossego’, que agora pertence aos leitores em qualquer parte do globo”, afirmam os curadores do projeto.

Clique aqui para acessar a biblioteca pessoal de Fernando Pessoa disponível para consulta on-line

Como a Globo manipula a justiça brasileira


Nota do Blog:

A Ministra Carmen Lúcia é a Personalidade 2015 do "Prêmio Faz Diferença" - em sua 13ª edição -  leia AQUI.  Premio que é uma iniciativa da Rede Globo. Observem que "nunca antes na história desse país" - a Globo, bajulou tanto o judiciário como nos últimos 13 anos

O que dizer, se algum dia, não muito distante, o processo de sonegação fiscal da Globo, cair nas mãos da Ministra Carmem Lúcia?

Como a Globo manipula a justiça brasileira através do Instituto Innovare
Por Paulo Nogueira - DCM

Poucas coisas são tão destrutivas quanto uma má iniciativa disfarçada de boa.

É o caso do Instituto Innovare, com o qual as organizações Globo mantêm relações abjetamente promíscuas com o sistema judiciário brasileiro.

O Innovare é uma iniciativa da Globo alegadamente dedicada a reconhecer boas práticas nos tribunais. O que ocorre no entanto é a negação da melhor prática que pode haver em qualquer justiça de qualquer país: a distância saudável e intransponível entre juízes e mídia.

O ministro Ayres Britto é o atual presidente do conselho superior do Innovare.

Ele saiu diretamente do supremo – no qual teve trágico papel no julgamento do mensalão — para os braços do Innovare, portanto da Globo.

Na última premiação do Innovare estavam presentes Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e Roberto Irineu Marinho, presidente da Globo. A cerimônia recebeu uma cobertura extraordinariamente longa do
Jornal Nacional. Foram 2 minutos e meio de reportagem.

Numa demonstração de quando é ambivalente a relação do governo com a Globo, também o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, estava lá. O Ministério da Justiça é um dos patrocinadores de uma entidade que conspurca a noção essencial de justiça.

Como você pode pretender que a justiça brasileira julgue qualquer processo da Globo com o mínimo de isenção? O fato é de que com seu estilo de não deixar feridos a Globo ocupou o judiciário brasileiro.

São vividas as lembranças de Ayres Britto abraçado a Merval Pereira, quando este lançou um livro sobre o mensalão. Era uma imagem repulsiva quando se pensa na independência que o judiciário tem que manter da mídia, mas mesmo assim, Ayres e Merval trataram de divulgá-la alegremente.

Fora tudo o Innovare promove palestras – uma fonte certeira de dinheiro fácil.

E quem são os palestrantes em sua maior parte? Exatamente aqueles em que você está pensando, Barbosa, Mendes e por aí vai.

Qualquer prática na justiça brasileira é insignificante se ela não for precedida da mãe de todas a boas práticas – a independência, em relação à a mídia e por extensão ao poder econômico.

O Innovare, por isso, muito mais que uma premiação, é uma chaga para o país.

 

23.1.16

Brasileiros ricos têm mais de um trilhão e meio de reais guardados em paraísos fiscais


Paraísos fiscais guardam mais de R$ 1 trilhão do Brasil(*) Apresentação Eduardo Mamcasz - EBC

Brasileiros ricos têm mais de um trilhão e meio de reais guardados em paraísos fiscais ao longo do mundo. A pesquisa é do alemão Markus Meinzer, do Tax Justice Network. Foi publicada na rede de notícias da Inglaterra, a BBC de Londres. Em 2012, o Brasil já ocupava o quarto lugar no mundo na questão de dinheiro mandado para fora do país de uma maneira ilegal. Vamos nessa.

O assunto continua atual diante do número de escândalos de corrupção no Brasil, os mais famosos, recentemente, o Mensalão e o Petrolão, como foram apelidados, e recentemente a Operação Zeloti, da Polícia Federal, que investiga desvios na área da Receita Federal. Em todos eles existe dinheiro depositado no estrangeiro e que nem sempre são devolvidos para o Brasil.

Para o diretor da Tax Justice Network quem mais manda dinheiro brasileiro para os paraísos fiscais são os setores de mineração, petróleo, farmacêutico, comunicações e transportes. São os maiores clientes brasileiros nos paraísos fiscais. Na América Latina, além do Brasil, aparecem entre os vinte países que mais desviam o dinheiro para os paraísos fiscais também México, Argentina e Venezuela.

A evasão de dinheiro para paraísos fiscais na verdade é uma praga que atinge inclusive os países mais ricos e cheios de regulamentação. De acordo com o estudo chamado The Price od Offshore, como o paraíso fiscal é chamado em inglês, os ricos do mundo têm depositados, nesses países, geralmente ilhas, mais de 21 trilhões de dólares, o que significa a economia junta dos Estados Unidos e do Japão.

De acordo com o estudo, entre os vinte países que mais desviam dinheiro para os paraísos fiscais estão a China, em primeiro lugar, seguida pela Rússia, Coréia do Sul e, em quarto lugar, o nosso Brasil, com desvio de 520 bilhões de dólares ou, na cotação de hoje, 1 trilhão e meio de reais. No nosso caso, apesar dos controles que deveria ser exercidos pelos bancos, o mais difícil mesmo é a devolução desse dinheiro todo. Operação Lava-Jato, da Petrobras, é um dos exemplos mais recentes.
(*) Trocando em Miúdo: Programete sobre temas relacionados a economia e finanças, traduzidos para o cotidiano do cidadão. É publicado de segunda a sexta-feira.

Polícia do governo Alckmin está em 100% dos protestos, mas elucida apenas 5% dos crimes

 

O governo de Alckmin, que conhece a fundo há praticamente 20 anos os problemas do estado de São Paulo, não investe na Segurança Pública para atender a população

Por Carta Campinas 


A polícia do governo Alckmin (PSDB) está presente em praticamente 100% de protestos e desocupações de famílias de sem tetos. Em compensação, o governo Alckmin consegue elucidar apenas 5% dos crimes cometidos no estado de São Paulo. Isso, se o criminoso for pego em flagrante. Se não, a eficiência investigativa da polícia do governo Alckmin é de 2,5%. Ou seja, próxima de zero.

Mas essa situação trágica da polícia de São Paulo não acontece por acaso, ela é bem planejada para que isso realmente aconteça. Veja agora como o governo Alckmin se planeja para ter os piores índices de elucidação de crimes.

Toda parte de atendimento em delegacia e investigação dos crimes que afetam diretamente o cidadão é abandonado e não recebe investimentos. Recente reportagem sobre a região de Campinas demonstrou que 30% dos funcionários das delegacias de polícia do governo Alckmin são improvisados pelas próprias prefeituras. Faltam recursos. As prefeituras colocam funcionários para que as delegacias possam funcionar. Além disso, o péssimo atendimento, falta de treinamento em delegacias da Mulher, por exemplo, são queixas contantes.

Ou seja, o governo de Alckmin, que conhece a fundo há praticamente 20 anos os problemas do estado de São Paulo, não investe na Segurança Pública para atender a população. Mas investe pesado em equipamentos para reprimir a população pobre em ocupações e em protestos. Há 6 meses, o governo gastou R$ 30 milhões na compra de 6 grandes blindados, chamados de caveirão no Rio de Janeiro.

Esse é o planejamento do governo Alckmin para atingir a incrível marca de 95% de ineficiência na investigação de crimes comuns. Mas, e isso é o que importa, 100% de eficiência na manutenção de qualquer questionamento à desigualdade social.

A política de Segurança Pública do governo Geraldo Alckmin (PSDB) expressa de forma explícita a tragédia da desigualdade social brasileira e do mundo.

Casuais e instrutivos reencontros com o Santo Ofício da Inquisição


 As suspeitas levantadas pela revista “Época” contra o ex-marido da presidente Dilma Rousseff e a carta dos advogados de defesa dos réus da Lava Jato trouxeram de volta para o vocabulário político, o termo inquisição, ou sua variante, neo-inquisição. Ilustração: Quadro de Robert Fleury sobre o auto-da-fé /Wikimedia/ Creative Commons

Por Alberto Dines - Observatório da Imprensa

Como não circulou no fim-de-semana anterior e ficou de fora do festival de resenhas que encobriram o lançamento do formidável “Spotlight”, a nova edição de Época (18/janeiro) marcou presença na segunda rodada de avaliações. E o fez em grande estilo no texto de abertura assinado pelo próprio Diretor de Redação.

“Em busca da história completa” é um título que deveria servir tanto para introduzir um dos principais ingredientes do filme como para justificar o injustificável – a reportagem de capa com a foto do ex-marido da presidente Dilma Rousseff tentando implicá-lo e implica-la na rede de escândalos revelados pela Operação Lava Jato.

É a primeira vez que a imprensa ousa aproximar o círculo de amizades da presidente Dilma – ex-marido e pai da sua filha, o advogado Carlos Araújo, é um dos seus mais próximos amigos. A denúncia é tão frágil e tão adoidada que desta vez sequer foi endossada ou republicada como soe acontecer com o pool de veículos que se reúne em torno da ANJ (Associação Nacional de Jornais). Época ficou sozinha, pendurada na sua ilimitada criatividade.

A própria metáfora da “busca da história completa” não consegue se ajustar a qualquer um dos seus objetivos. Não legitima a leviana acusação ao amigo da presidente da República, nem esclarece o que verdadeiramente se passou na redação do Boston Globe em 2002.

No filme “Spotlight” — a esta altura com seis indicações para o “Oscar” — o recém-chegado diretor de redação (ao contrário do que está dito em Época), faz questão de ir atrás dos padres-pedófilos e através do detalhamento de seus crimes comprovar a cumplicidade oferecida pela hierarquia católica americana e a Santa Sé. A equipe de repórteres do Globe de Boston, identificou 87 sacerdotes prevaricadores e através deles escancarou o ilimitado poder da cúria do estado de Massachusetts numa república que se gaba do sua laicidade, secularismo e isonomia.

Pior de tudo é que servindo-se de um pequeno texto meramente retórico e abarrotado de equívocos, o semanário exime-se de fazer uma resenha satisfatória de um dos melhores filmes sobre jornalismo dos últimos tempos, deixando de lado a história real, as façanhas dos repórteres-heróis, dos religiosos-vilões e seus asseclas.

O que os nossos resenhistas estão tentando ocultar de forma tão canhestra são situações que o filme escancara de forma precisa, cirúrgica. Exemplo é a visita protocolar que o diretor de redação recém-chegado à cidade, é obrigado a fazer ao arcebispo de Boston e a indecorosa proposta que na ocasião o hierarca lhe dirige visando uma sólida aliança das respectivas instituições – igreja e imprensa. Como castigo foi obrigado a ouvir do jornalista que a imprensa só sobrevive quando se mantém distante deste tipo de parceria.

Se Época pretende realmente engajar-se numa competição com Veja valeria a pena examinar a resenha que o semanário da Abril publicou uma semana antes sobre o mesmo “Spotlight” e repetiu abreviadamente na edição seguinte: o grande jornalismo requer um grau de independência para romper paradigmas e compromissos que só se atinge com extrema deliberação. E muita coragem.

Enfim, a Inquisição fora do armário

Além de queimar hereges em festivos espetáculos ao ar livre, o Santo Ofício da Inquisição inventou um arsenal de ardis e sutilezas que prolongou a sua existência e infiltrou-se profundamente nos hábitos, mentalidades e leis dos países onde funcionou, sobretudo latinos – Itália, Espanha, Portugal e respectivas colônias d’além-mar.

Um dos subprodutos da Inquisição – o controle das ideias — foi formalizado poucos depois da invenção dos tipos móveis por Johannes Gutenberg em meados do século XV. O que não impediu a formidável utilização da tipografia para disseminar a rebelião contra a Santa Sé pelo dissidente Martinho Lutero.

Recurso igualmente eficaz para evitar contestações e exercer o poder absoluto foi criação de uma linguagem soft, disfarçada, desprovida de horrores para tornar palatáveis as façanhas do profano Santo Ofício. Em português os asseclas da Inquisição eram chamados de “familiares”, as execuções substituídas por “relaxamentos” e assim por diante (ver Elias Lipiner, “Inquisição, terror e linguagem”). O nazismo usou o mesmo expediente criando uma linguagem oca, adulterada, tal como revelam os diários de Victor Klemperer.

No Brasil, raramente menciona-se a Inquisição, seus feitos e vítimas. Espécie de vergonha coletiva ainda não assimilada por seus herdeiros. Ao longo dos festejos dos 450 anos de fundação do Rio de Janeiro os historiadores de plantão jamais insinuaram que a Cidade Maravilhosa é uma das campeãs em número de presos, denunciados, condenados e executados. A comunidade de cristãos-novos fluminenses foi dizimada no século XVIII, a indústria açucareira esvaziada por força das expropriações ordenadas pelos inquisidores.

A punições efetuadas pela força-tarefa que comanda a Operação Lava Jato levou os advogados que representam os acusados a publicar no dia 15/1 candente protesto contra os métodos de investigação e intimidação dos acusados. Pela primeira vez em décadas saltou dos dicionários e glossários a palavra Inquisição e sua variante, neo-inquisição.

Dos ilustres causídicos que assinam o manifesto poucos se deram ao trabalho de estudar os regulamentos inquisitoriais portugueses, a jurisprudência do Santo Ofício e os postulados de direito canônico no qual se basearam. Na condição de pesquisador diletante, este observador ousa lembrar que o professor Nilo Batista, ex-vice-governador e depois governador do Estado do Rio de Janeiro, é um dos poucos que examinaram a fundo a herança inquisitorial portuguesa em nossa vida jurídica.

Com isso não se pretende dar razão ao protesto dos advogados que enfrentam o rigor da Lava Jato. Apenas lembrar que o Santo Ofício não é uma figura de retórica mas uma aberração consolidada pelos 285 anos de vigência do aparelho de intolerância e fanatismo religioso no Brasil.

***

Alberto Dines é jornalista, escritor e cofundador do Observatório da Imprensa



 


 

22.1.16

Quando as classes menos favorecidas querem estudar Música na USP

Claudia venceu a 1ª etapa do acesso ao curso de Música da USP, mas não tem piano para estudar para prova de aptidão

"Invasores", novo filme de Marcelo Toledo, trata sobre o preconceito sofrido por Claudia, uma garota da periferia de São Paulo que não tem acesso a um piano para estudar para a prova prática do vestibular

por Xandra Stefanel, especial para RBA


Claudia (Emanuela Fontes) é uma descendente de bolivianos moradores na periferia da capital paulista. O desejo de se tornar uma pianista nasceu quando conheceu o instrumento em um programa de musicalização para jovens sem recursos. Com ótimas notas, ela passou a receber uma bolsa para estudar em um cursinho popular, onde foi estimulada a lutar pelo seu sonho.

O problema é que para ser aceita no curso de Música da Universidade de São Paulo, Claudia tem de estudar para a prova de aptidão. Precisa ter acesso a um piano. Esse é o mote do longa-metragem Invasores, de Marcelo Toledo, que estreia nesta quinta-feira (21), às 20h30, no Cine Caixa Belas Artes. A sessão será seguida de debate com a presença do diretor e dos atores.

Vinda de uma família de origem pobre, Claudia não conhece ninguém que tenha em casa um piano, por isso decide pedir emprestada a sala da instituição cultural da qual fazia parte. O diálogo entre a jovem e a responsável pela área de música é uma das cenas mais desconcertantes e desconfortáveis do filme. Quando a menina conta que vai prestar vestibular para Música na USP, a reação de Priscila é positiva, mas quando diz que precisa de um piano para estudar para a prova prática, recebe um banho de água fria:

Priscila: “Claudinha, como é que eu vou te explicar isso? Você fez uma escolha complicada…”

Claudia: “Eu fiz uma escolha complicada? Sério?”

Priscila: “Você não acha?”

Claudia: “É, mais complicada do que a sua. Quer dizer, você vive disso, né, de música. Eu adoraria ter um emprego como o seu, fixo, e roupinha cara”.

O que Priscila quer dizer é que estudar Música em uma universidade como a USP não é para pessoas pobres como Claudia, que não tem piano em casa, não conhece ninguém que tenha e tampouco pode pagar para fazer aulas e treinar. Por isso, a escolha é complicada. Não haveria estranhamento caso a garota decidisse trabalhar em uma tecelagem, como sua mãe sugeriu.

O conflito de Invasores poderia até lembrar o do premiado Que Horas Ela Volta, de Anna Muylaerte, em que a filha da faxineira pobre conquista uma vaga na disputada Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, da USP. Mas não. Nessa ficção de Toledo, além do preconceito de classe, a protagonista também enfrenta o julgamento de seus amigos e da família. É como se o simples fato de querer se dedicar à música fizesse de Claudia uma pessoa esnobe, que se acha melhor do que os outros.

O gesto de apoio só vem de seu namorado Nilson (Maxwell Nascimento), que faz parte de um grupo que invade prédios públicos para pichar, numa espécie de protesto contra a sociedade burguesa. É, aliás, dessa maneira que ele passa a ajudar sua namorada: sempre à noite ou aos finais de semana, eles invadem escolas de música e centros culturais onde Claudia pode tocar piano. Um tipo arriscado de ajuda, que pode trazer novos problemas.

O filme provoca a questão: quem é invasor nesta história, o grupo de pichadores ou Claudia? Em comum, personagens obstinados em ocupar espaços para os quais não foram convidados.




INVASORES - trailer from Raiz Distribuidora Audiovisual on Vimeo


InvasoresDireção: Marcelo Toledo
Co-direção de cena: Paolo Gregori
Produção e produção executiva: Fernando Andrade
Roteiro: Ana Paul
Direção de arte: Maíra Mesquita
Direção de fotografia e câmera: Miguel Vassy
Direção de som: Gustavo Nascimento
Direção de produção: Toni Domingues
Produção de elenco: José Bosco e Silva
Elenco: Emanuela Fontes, Maxwell Nascimento, Rita Batata, Fábio Neppo, Raíssa Gregori, Karina Barum, Maurício de Barros, Gabriela Rabelo, Wilma de Souza, Dhenyze Iwhone, Washington Lins, Fernando Andrade
Gênero: ficção/drama
Duração: 82 minutos




Estreia
Quando:
quinta-feira, dia 21, às 20h30
Onde: Cine Caixa Belas Artes
Rua da Consolação, 2423
Mais informações: (11) 2894-5781